Ministério de Justiça lança ofensiva contra a venda de vacina falsificada na internet

Órgãos já mapearam mais de 2 mil sites e grupos em redes sociais que vendem vacinas falsificadas, inclusive o Coronavac

Até o fim do mês, o Ministério da Justiça, com a participação da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), deve lançar uma campanha contra o comércio virtual de vacinas falsificadas ou que não possuem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma delas é justamente a Coronavac.

O número de sites que surgiram nos últimos meses espantaram o MJ. Segundo Juliana Domingues, secretária da Senacon e presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), a apuração preliminar sobre o comércio on-line de vacinas já identificou mais de 2 mil sites ou grupos em redes sociais especializados nessa prática.

juliana domingues

Juliana Domingues, secretária da Senacon

“Estamos com uma campanha que será lançada até o fim do mês contra a venda de vacina falsificada. Nós identificamos que elas estavam sendo vendidas em canais de comércio eletrônico. Isso nos preocupa muito. Não é apenas um produto que não tem origem definida, mas um produto que pode causar outros danos à saúde dos consumidores”, afirmou Juliana.

Perfil

A apuração preliminar feito pelo CNPC e demais órgãos do MJ ainda identificaram um pouco sobre a atuação desses sites. Uma delas é que há sites que sequer vendem medicamentos. O objetivo seria coletar dados pessoais e de cartões de crédito de consumidores.


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“Isso nos preocupa muito porque boa parte desses sites sequer tem os produtos que anunciam. Eles estão ali para adquirir os dados dos consumidores. Após coletar essas informações, eles sofrem novos golpes, ou seja, não adquirem o produto porque ele não é vendido de fato”, afirma.

Um exemplo citado por Juliana foi o caso de um site que comercializava caixas da Coronavac com 10 doses por R$ 99. O site foi descoberto pelo Procon São Paulo no início deste ano e já está fora do ar. No entanto, os relatos continuam aumentando e já existem casos de golpes parecidos sendo praticados no Rio de Janeiro.

“Os Procons do Rio de Janeiro e São Paulo já entraram em contato conosco, inclusive, identificando a venda dessas supostas vacinas em feiras livres”, alerta.