É justo o preço do iPhone 12?

Apuramos o motivo do iPhone 12 ter um custo de quase R$ 14 mil no Brasil. Um deles é bem conhecido: a carga tributária

Em novembro, consumidores ao redor do mundo celebraram a chegada do iPhone 12, o mais novo e aguardado aparelho da Apple. Por aqui, o sentimento foi um pouco diferente por causa do preço do produto.

Composta por 4 modelos diferentes (tradicional, Mini 12, Pro e 12 Pro Max), a nova linha foi lançada com um preço mais ameno nos Estados Unidos, seguindo a nova política de posicionamento da Apple de oferecer produtos de ponta a preço médio.

No país de origem da marca, o IPhone Mini sai por US$729 + impostos (4.5% a 8%). No Brasil, entretanto, o preço é bem mais salgado: o aparelho custa R$ 6999 na loja oficial da marca. Já a versão mais completa do celular, o IPhone Pro Max, chegou ao Brasil com o valor de R$ 13.999.

O que explica essa disparidade de preços?

Segundo Carlos Schmiedel, CEO da Predify — um software de precificação inteligente — e professor convidado da Universidade Federal de São Carlos para lecionar Data Mining, a altíssima carga tributária é o que faz o preço disparar no Brasil.

“Se comprado com cartão de crédito em Miami com imposto de aproximadamente 7% + IOF,o IPhone Mini irá custar US$830, ou seja, R$4171,50 na cotação de hoje do dólar. Obviamente o preço no Brasil não é calculado apenas convertendo o valor em dólar para Real. No preço final do produto incidem, ainda, toda a carga tributária de importações (IPI, ISI, PIS, COFINS, ICMS), que está estimada em 52% no caso do iPhone. Isso faz com que o IPhone no Brasil seja um dos mais caros do mundo”, explica.

Além do preço não muito amigável, a nova linha do celular trouxe outra surpresa: dessa vez, os celulares não vêm mais acompanhados de seus carregadores. A ausência do aparato, segundo a gigante de tecnologia, seria motivada por uma “preocupação ecológica”. Os fones de ouvido também não estão nos pacotes da Apple, como já vinha acontecendo em alguns casos anteriormente.

O especialista explica que não é possível afirmar com convicção se a precificação do iPhone é ou não justa, já que “a Apple não divulga o preços de custo de seus produtos vendidos para distribuidores locais”.

“Supondo que o custo do produto represente 30% do preço e que outros 52% são impostos, e estimando um custo de venda na casa de 5%, a margem de lucro para esses produtos estaria na casa de 13%. É claro que esses cálculos são apenas estimativas. Mas mostra que margem do distribuidor não é muito alta”, cotinua Schmiedel.

Preço alto – e fone de ouvido não incluso

A ausência dos acessórios foi duramente criticada nas redes sociais. Além da opinião pública, órgãos brasileiros de defesa do consumidor também resolveram atuar. O Procon-SP já enviou duas notificações à Apple. Seguindo o mesmo caminho, o Procon de Santa Catarina também advertiu a empresa. O órgão entende que a decisão de não incluir o acessório na embalagem do celular fere o Código de Defesa do Consumidor.

Em resposta à notificação, a Apple informou que a decisão teve como objetivo “reduzir a emissão de carbono e o lixo eletrônico”, pois, segundo a fabricante, os carregadores incluídos na caixa não eram utilizados já que “existem muitos desses dispositivos no mundo”.

“É incoerente fazer a venda do aparelho desacompanhado do carregador, sem rever o valor do produto e sem apresentar um plano de recolhimento dos aparelhos antigos, reciclagem etc. Os carregadores deverão ser disponibilizados para os consumidores que pedirem”, afirmou Fernando Capez, diretor executivo do órgão paulista.

O Procon-SP anunciou ainda que exigirá da Apple um plano viável para reciclagem do produto (celular e adaptadores), incluindo propostas para logística reversa e descarte adequado.