Google diz a Maia que incluir sites de busca no projeto contra fake news não será efetivo

Empresa respondeu ao pedido de 27 entidades de comunicação social

Rodrigo Maia

Em carta enviada ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), o Google afirmou que incluir sites de buscas no projeto de combate às fake news não vai atender à ideia de coibir condutas mal-intencionadas e distribuição de notícias falsas na internet.

“Ao contrário, isso poderia ser prejudicial ao combate à desinformação ao limitar acesso a uma variedade de fontes de informação. Além disso, consideramos que simplesmente incluir as ferramentas de busca no projeto de lei, sem a devida consideração do conjunto de ações concretas que temos realizado para combater a desinformação em todas as nossas plataformas, poderia fazer com que a futura lei já nascesse obsoleta”, diz a empresa.

Resposta a entidades de comunicação social

O documento foi enviado em resposta ao pedido de 27 entidades que alegam que não incluir os buscadores no projeto contra fake news seria cometer um erro “não apenas ao omitir as ferramentas de busca que coletam dados, veiculam anúncios e conteúdos de toda sorte, mas engessam a lei para serviços futuros, como assistentes virtuais”.

Entre as signatárias do documento estão a ANJ (Associação Nacional de Jornais), a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas), a Fenajore (Federação Nacional das Empresas de Jornais e Revistas) e a Abratel (Associação Brasileira de Rádio e Televisão).

Outro pedido do grupo foi que a remuneração de conteúdos jornalísticos seja garantido. Segundo a coalizão, a remuneração do conteúdo “incorporado e rentabilizado, seja com publicidade ou coleta de dados pessoais” é um encaminhamento já praticado em países da Europa e da Oceania.

“Obviamente, não se quer obstaculizar o usuário de compartilhamentos de notícias, que é desejável até para promover a circulação das informações apuradas e tratadas com critérios jornalísticos. A importante garantia de remuneração do jornalismo profissional pelo seu conteúdo que é incorporado e rentabilizado, seja com publicidade ou coleta de dados pessoais, serve de motor de engajamento das grandes plataformas mundiais”, diz a carta da coalizão.

Google nega lucro

Segundo a empresa, “o valor econômico gerado pelos conteúdos de notícias para o Google é muito pequeno”. O Google afirma ainda que direciona cerca de 24 bilhões de cliques por mês para sites de notícias pelo mundo.

“Em resumo, as empresas de notícias acessam um volume sem precedentes de leitores, uma audiência que elas podem monetizar por meio da exibição de anúncios em seus sites, além de alcançar novos leitores e assinantes em potencial”, diz o Google.

A empresa também afirmou que é clara em relatórios de transparência sobre remoção de anúncios. A coalizão de entidades de comunicação social, no entanto, destacou o movimento Sleeping Giants, que resultou em empresas retirando investimentos em publicidade nas plataformas do Google por falta de clareza nas políticas de publicação e remoção de conteúdos falsos e sensíveis.

Segundo o relatório de transparência das plataformas de anúncios divulgado pelo Google em 2019, foram bloqueados e removidos 2,7 bilhões de anúncios em todo o mundo.