E-commerce: saiba como identificar e fugir de fraudes em compras online

Especialistas explicam que, com o crescimento do e-commerce, é necessário ser cuidadoso na hora de comprar pela internet para evitar golpes e roubos de dados

compras online

O comércio eletrônico, que já vinha ganhando seu espaço nos últimos anos, foi fortemente impulsionado devido às restrições de circulação decorrentes da pandemia de Covid-19. No primeiro semestre deste ano, as compras online cresceram 47%, maior alta em 20 anos.

Como a procura online por itens abrange todas as idades, estilos e utilidades, a margem para possíveis fraudes também tem aumentado. Fábio Pimentel, advogado especialista em Data Privacy, Tecnologia e Inovação e Fátima Bana, especialista em marketing e e-commerce pela University of Califórnia, contam quais golpes estão sendo os mais comuns  e dão dicas de como evitá-los.

Como identificar um site confiável

Crédito: Pixabay

Segundo Fábio Pimentel, ainda que fraudadores estejam sempre buscando meios de burlar mecanismos de segurança, duas medidas que podem parecer simples reduzem bastante os riscos:

“Uma dica muito importante é confirmar que o site que se está navegando é o da empresa em que se deseja comprar. Geralmente, os sites das empresas de e-commerce trazem, no rodapé, informações como razão social da empresa, CNPJ, endereço e números de contato. Na dúvida, vale a pena entrar em contato com os demais canais de atendimento, como o chat, e confirmar o endereço da empresa na internet.”

A outra dica, diz o especialista, é verificar o certificado-raiz SSL, que é emitido por uma autoridade que garante a procedência daquele portal.

“Basta clicar no cadeado que existe ao lado do campo da URL, no navegador Google Chrome. Ao clicar, deve-se confirmar quem é a autoridade certificadora daquele domínio: normalmente são entidades conhecidas, como a VeriSign, a Certisign, dentre outras. No caso da Sephora, por exemplo, que vende cosméticos, a autoridade é a Amazon.”

Já Fátima Bana, especialista em marketing e e-commerce, reforça a necessidade de, antes da compra, o consumidor fazer uma minuciosa pesquisa . “Pesquise nas reclamações do Procon, nas redes sociais. O máximo de cautela contribui, principalmente se o valor do ticket for alto”, complementa.

Fique atento ao furto de dados bancários

Conhecida como fraude efetiva, é a que acontece com mais frequência nas lojas virtuais. Ela é caracterizada pelo roubo de dados pessoais e de cartão de crédito para fazer a compra de algum produto na internet, trazendo consequências tanto para o consumidor como para o lojista.

“Acontece muito, principalmente com as redes varejistas, de as pessoas pegarem e-mails e senhas fáceis nos submundos da internet, e usarem esses cartões clonados. Por isso, é importante sempre utilizar senhas fortes, além de nunca deixar o cartão salvo — a não ser que seja em assinatura ou aplicativos bem criptografados”, recomenda Fátima Bano.

“É importante, também, estar atento aos sinais que os próprios bancos emitem, como notificações e mensagens de SMS, que são enviadas a cada transação”, complementa o advogado Fábio Pimentel.

Cuidado com o Phishing

Foto: Pexels

Traduzindo a grosso modo, phishing é o mesmo que “pescaria”. É a tentativa fraudulenta de obter informações confidenciais como nomes de usuário, senhas e detalhes de cartão de crédito, através de disfarce de entidade confiável em uma comunicação eletrônica, como por e-mail ou Whatsapp.

“Normalmente começa a partir do envio de uma mensagem supostamente de uma loja conhecida, em que um link aponta, por exemplo, para uma hipotética promoção. Ao clicar nesse link, no entanto, o consumidor é direcionado para um site fake, que, ou solicita informações indevidas, ou simplesmente abre a porta para a instalação de um agente agressor, como um cavalo de troia”, explica o advogado.

De acordo com o especialista, uma das formas de identificar a tentativa de fraude, é, antes de clicar no link do e-mail passar o mouse em cima do botão que está na tela e verificar qual endereço aparece. Se o endereço não sugerir ligação com a loja que faz o anúncio, provavelmente é fraude.

Outra dica importante é ter, em sua máquina, um antivírus que ajude a detectar e-mails maliciosos. Esses firewalls geralmente criam uma barreira que evita o recebimento desses e-mails. Mesmo assim, não garantem total eficiência e ainda é necessário tomar cuidado ao abrir links desconhecidos.

Em uma compra, quais informações devo fornecer? 

Conforme explica o advogado, até mesmo por exigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), as informações cadastrais devem ser apenas aquelas que servirão para identificar o consumidor, tais como nome, CPF e endereço para remeter a mercadoria.

“Outra questão importante é que muitos sites de e-commerce já trabalham em parceria com instituições financeiras. Os bancos também estão muito atentos às fraudes, na medida em que acabam sendo responsabilizados por elas. Por isso, tem investido em tecnologias antifraude, como a confirmação de transações por códigos enviados por SMS. Nesse sentido, muitos bancos já oferecem cartões com numeração virtual e única, justamente para evitar que os dados do cartão sejam utilizados indevidamente por terceiros.”

Caso esteja em dúvida, a especialista em e-commerce Fátima Bana recomenda ir além na pesquisa e verificar a procedência do varejista.

“Todo site é obrigado a ter um endereço de funcionamento, onde a empresa está registrada, ainda que não tenha um endereço físico real, e um endereço de SAC”, comenta.

Como saber se a mercadoria corresponde à ofertada?

Grande parte das reclamações submetidas ao Procon se referem a produtos que não condizem com os anúncios publicados nos sites de venda, como itens falsificados e até mesmo miniaturas não especificadas no momento do anúncio.

A especialista em e-commerce reforça que, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, o cliente invariavelmente tem o direito de pedir a devolução do produto dentro do prazo de sete dias. Além disso, a Fátima recomenda verificar as especificações do anúncio do produto e desconfiar de anúncios “bons demais para serem reais”.

“Produtos falsos, geralmente, são de grandes grifes. Desconfie de produtos de grife com preços muito bons, compare os calores com os do site oficial da marca. Olhe as referências, vejam o que as pessoas estão comentando. Se é uma pessoa física vendendo, como nos casos das vendas pelo Whatsapp ou outras redes sociais, converse antes com o vendedor para verificar a legitimidade do produto para não ter maiores dores de cabeça depois.

O advogado Fábio Pimentel aconselha dar preferência aos marketplaces. “Eles costumam ter atenção à procedência dos produtos vendidos, muito embora seja realmente difícil controlar tudo aquilo que é oferecido.”

Paguei e meu produto não chegou. Como proceder?

O vendedor é sempre responsável, inclusive pela entrega do produto, mesmo que ele utilize serviços logísticos de terceiros, como transportadoras ou os próprios Correios. Uma primeira providência, segundo o advogado Fábio Pimentel, é entrar em contato com o vendedor para verificar o que aconteceu. Caso não haja esclarecimento, o cliente deve procurar outras vias legais.

“Uma primeira ação pode ser contestar a compra junto ao cartão de crédito, por desacordo comercial. Há a possibilidade também de acionar os órgãos de Defesa do Consumidor, como os PROCONs, eles estão habituados a lidarem com esse tipo de situação e podem auxiliar o comprador.”

“Além disso, as redes sociais também podem ser importantes aliados do consumidor: hoje em dia, grande parte dos vendedores que atuam no e-commerce estão conectados a elas e interagem constantemente com os clientes. É comum observarmos postagens de consumidores, explicando o que aconteceu, e marcando as empresas. As respostas, muitas vezes, são quase que imediatas.”


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