Nova gasolina passa a valer a partir de hoje; saiba o que muda

Combustível comercializado no país terá de adotar novos parâmetros, que o aproximam da qualidade europeia

nova gasolina

A partir desta segunda-feira (3), a gasolina vendida no Brasil deverá seguir novas especificações definidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). O novo padrão de qualidade deverá aproximar a gasolina brasileira daquela que abastece os veículos em países europeus. As mudanças contemplam a gasolina comum (tipo C) e premium (indicada para carros esportivos).

De acordo com a Petrobras, que produz 90% da gasolina vendida no Brasil, as novas especificações já vêm sendo seguidas há meses.

Embora as refinarias tenham de adotar os novos parâmetros a partir de hoje, as distribuidoras podem ainda trabalhar com a gasolina “antiga” até o dia 3 de outubro, e os postos podem comercializá-la até 3 de novembro.

O que muda com a nova gasolina?

A exigência que mais impacta na nova gasolina  é a da densidade do combustível, que deverá ser de, no mínimo, 715 gramas/litro. Ainda não havia uma regulamentação deste tipo para o derivado do petróleo, apesar de ser um parâmetro essencial para um bom funcionamento do motor do carro.

Em tese, quanto maior o peso de um litro de gasolina, maior é a quantidade efetiva de conteúdo energético presente, ou seja, o litro mais “pesado” fornece mais energia ao carro, que, dessa maneira, deve andar mais do que com um litro mais “leve”. Na prática, significa que o combustível deixará os carros mais eficientes, reduzindo o consumo e as emissões de poluentes.

Mais cara e menos poluente

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A densidade da nova gasolina dificulta adulterações. Crédito da imagem: Pixabay.

Uma vantagem trazida pelo estabelecimento de uma densidade mínima é que ela dificultará que os donos de postos adulterem a gasolina. Isso acontece porque a maioria dos solventes possui densidade mais baixa do que a gasolina, ou seja, ao serem misturadas com o combustível, tendem a torná-lo mais leve e suscetível a não cumprir a nova regra.

Para garantir que a gasolina vendida atenda ao requisito de densidade, todos os postos deverão oferecer um medidor, que poderá ser utilizado pelo consumidor que desejar testar o produto.

Segundo a Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), existe uma previsão de economia de 3% a 4% no consumo de combustível com a adoção da nova densidade. Consequentemente, as emissões de poluentes, como o gás carbônico, também devem baixar entre 3% e 4%.

Apesar disso, ainda não há um previsão concreta de quanto seria o aumento no preço da gasolina, proporcionado exclusivamente pelo novo padrão de densidade, mas é consenso que ele deve acontecer.

Padrão europeu

Segundo especialistas, as alterações aproximam a qualidade do combustível brasileiro àquela da gasolina comercializada na Europa.

As mudanças por aqui começaram em 1994, com a adição do etanol anidro, o que tornou a gasolina mais limpa e aumentou sua octanagem. A octanagem refere-se à capacidade de a gasolina resistir à compressão antes da explosão. Quanto maior for, melhor o desempenho do motor.

Uma nova mudança ocorreu em 2014, quando a concentração de enxofre, antes de até 200 partes por milhão (ppm), passou a ser de, no máximo, 50 ppm.

Agora, com a densidade regulada, o Brasil deve ter uma gasolina de excelência, se as determinações realmente forem verificadas na prática.