Análise de crédito: birôs levarão pandemia em conta?

Queda na renda da população, gerada pela crise econômico-sanitária, pode interferir nos cadastros positivo e negativo

analise de credito

A paralisação econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus, que culminou com a perda de emprego e renda, tem dificultado a quitação de compromissos pessoais, como contas básicas e financiamentos. Nesse cenário, consumidores afetados duramente pela crise podem ser prejudicados em uma possível análise de crédito, justamente quando existe uma maior necessidade de dinheiro.

“Existe uma imagem de que os negativados já têm mais dificuldade de arrumar vagas no mercado de trabalho. Com a pandemia, as pessoas perdem emprego, renda e correm para o mercado informal, para vender doces, objetos. E é nesse momento em que elas precisam, por exemplo, de crédito para adquirir insumos”, sugere a presidente da Associação Brasileira de Procons (ProconsBrasil), Sophia Vial.

A grande preocupação da entidade de defesa do consumidor é a de que, por deixar de pagar determinado compromisso em função de um motivo de força maior, como a pandemia, o cidadão perca sua imagem de bom pagador no mercado exatamente no momento em que pode vir a precisar dela.

“Os birôs têm a capacidade de filtrar qual é o comportamento comum de cada consumidor e quais são excepcionais, provocados pela pandemia”, ressalta Vial.

Para Gustavo Marrone, diretor jurídico e regulatório do birô de crédito Quod, é importante que o histórico de pagamentos do consumidor continue sendo avaliado da mesma maneira, mas que a interpretação desse histórico leve em consideração possíveis dificuldades decorrentes da pandemia.

“Não adianta combatermos a febre quebrando o termômetro. Com o histórico completo, é possível ponderar de diferentes maneiras, com uma boa prática no momento da análise de crédito. E os birôs tem feito isso, juntamente com as instituições que oferecem o crédito”, explica.

Contas Básicas

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O atraso do pagamento da conta de luz pode influenciar no cadastro negativo. Foto ilustrativa: Pexels.

Segundo Marrone, o atraso em pagamentos de contas de serviços essenciais, como energia elétrica e telefonia, ainda não interfere no cadastro positivo, que por enquanto utiliza apenas dados de instituições financeiras, mas podem impactar no cadastro negativo, caso a empresa deseje inscrever o consumidor inadimplente.

Ele lembra, contudo, que se a obrigatoriedade do pagamento de determinadas contas foi suspensa ou postergada, como aconteceu em alguns locais, o não pagamento da dívida não é considerado um atraso e, portanto, não interfere no histórico de pagamentos do consumidor.

Cadastros positivo e negativo

O cadastro positivo é um banco de dados mantido por cada birô de crédito que leva em consideração todo o histórico de pagamentos dos consumidores e possui inclusão automática, embora o usuário possa solicitar sua retirada do banco de dados. Com toda a série de pagamentos e dívidas, o consumidor é avaliado com uma espécie de nota, que é levada em consideração na hora de buscar crédito.

Atualmente, o cadastro positivo só leva em conta informações de instituições financeiras, mas já foi autorizado a incluir contas básicas, como forma de ampliar as informações de pagamento ligadas às classes sociais mais baixas.

Já o cadastro negativo basicamente é uma “lista negra” de consumidores inadimplentes, que contempla praticamente todo tipo de dívida ou financiamento atrasado ou não pago. Quem está num cadastro negativo, normalmente diz que está com o “nome sujo”.