Turismo deve demorar de 1 a 2 anos para se recuperar totalmente, diz FGV

Estudo indica que parada provocada pela pandemia deve implicar em baque mais forte para o mercado internacional

A Fundação Getúlio Vargas publicou a segunda edição do estudo que mede os impactos da pandemia do novo coronavírus no setor do turismo com uma projeção ainda mais pessimista: a expectativa é a de que o turismo doméstico demore ao menos 12 meses e o internacional no mínimo 24 meses para retornarem aos patamares pré-crise.

De acordo com a entidade, os diversos segmentos relacionados ao turismo devem apresentar uma retomada variada de suas atividades, mas, independentemente do oferecimento dos serviços, “os consumidores devem permanecer céticos” em relação a viagens, o que deve dificultar a retomada econômica do setor.

Segundo a FGV, a previsão de paralisação quase completa nos serviços, que antes deveria durar três meses, entre março e maio, agora deve ir até o final de julho, ou seja, irá durar cinco meses.

Uma previsão que representa bem a situação do setor é a do segmento de hotéis e pousadas. Se considerarmos “100%” o volume de serviços prestados antes da pandemia, o nível, que ficou em 10% em abril e 11% em maio, deve permanecer nesse patamar até julho, com 13%. Em dezembro, a expectativa é a de que o segmento movimente 77% dos índices pré-crise, que só devem ser completamente restabelecidos no último mês de 2021.

Economia

O impacto econômico, naturalmente, acompanhará a queda brusca da produção turística. Espera-se que o Produto Interno Bruto do turismo gere, em 2020, R$ 144 bilhões, queda de 47% em relação a 2019. Mesmo em 2021, as riquezas produzidas pelo turismo serão 13% menores do que no ano passado, chegando a R$ 237 bilhões.

A recuperação deve acontecer a partir de 2022. Contudo, para suprir as perdas provocadas pela crise, que devem ser de R$ 161 bilhões até 2021, o turismo brasileiro deve precisar de quatro anos, ou seja, a turbulência financeira deve ser estabilizada apenas ao fim de 2025.

Em relação ao emprego, das 2,68 milhões de vagas de trabalho formais sustentadas pelo turismo, o país pode perder entre 669 mil (no cenário mais otimista) e 1,11 milhão (pessimista) de empregos. A recuperação das vagas deve acontecer apenas nos últimos meses de 2021.