A conta de luz veio alta? Entenda o ajuste depois das “cobranças pela média”

Serviços como fornecimento de água e energia elétrica não estavam realizando medições presenciais, o que provoca distorções na cobrança de consumo

cobrança de luz

Uma prática entre fornecedoras de serviços como água e energia elétrica, que se tornou comum durante a pandemia do novo coronavírus, foi deixar de medir o consumo dos clientes de maneira presencial, com a leitura dos relógios. Apesar de a decisão contribuir com a saúde dos funcionários, ela interfere diretamente na cobrança da conta de luz dos consumidores.

A saída mais adotada tem sido, até o momento, a cobrança pela média de consumo da residência, considerando os últimos 12 meses antes da crise sanitária. A Enel, por exemplo, fornecedora de energia elétrica na cidade de São Paulo, aderiu a essa metodologia. Para compensar os excessos ou as perdas, as contas posteriores à pandemia, já com a medição presencial, corrigiriam as distorções.

Em junho, a empresa retomou parte das medições presenciais na capital paulista, o que já refletiu em mudanças nos valores cobrados dos consumidores. Muitos reclamaram da conta alta, que muitas vezes estava próxima do dobro do que é cobrado usualmente. Apesar do susto inicial, a cobrança não representa nenhuma injustiça, embora seja recomendado comparar o consumo dos últimos meses com o valor a pagar.

Maior consumo na quarentena

Imaginemos uma casa em que o consumo médio de energia elétrica nos últimos 12 meses foi de R$ 100. Com a quarentena e as medidas de restrição, os moradores tendem a ficar mais em casa, seja por suspensão das aulas, precaução ou falta de trabalho. Isso gera, naturalmente, um aumento no consumo de energia elétrica.

Além disso, existem os casos em que o trabalho e as aulas foram deslocados para a modalidade online, ou seja, as atividades passaram a exigir um computador ligado durante boa parte do dia.

Pois bem, suponhamos que essa família passe a consumir mais energia, de modo que seu gasto passe a equivaler não mais a R$ 100, mas sim a R$ 150, durante os meses de abril e maio. Como não houve medição presencial, a fornecedora de energia elétrica continua a cobrar a média (R$ 100), deixando assim de receber R$ 50 por dois meses.

Caso a medição seja realizada em junho e o alto consumo de energia se mantenha, a conta relativa a esse mês, além de registrar o uso mensal, irá compensar as perdas do meses anteriores. Logo, se a família seguir consumindo R$ 150, irá pagar R$ 250 (R$ 150 de junho + R$ 50 de maio + R$ 50 de abril).

“Com a volta da leitura presencial, a diferença entre o valor obtido pela média e o valor do consumo real durante o período de quarentena será compensada automaticamente. Com isso, nenhum cliente pagará a mais ou a menos do que aquilo consumiu de fato”, explicou a Enel em nota.

Consumo reduzido

A mesma compensação deve acontecer para aqueles que consumiram menos durante a quarentena. Imaginemos um estudante que mora sozinho em São Paulo e, com a suspensão das aulas, decidiu passar a quarentena na casa dos pais no interior. Digamos que ele possui uma média de consumo de R$ 70.

Com a casa vazia, a tendência é a de que o consumo baixe bastante. Vamos supor que caia para R$ 40, para manutenção de rede e geladeira, por exemplo. Esse estudante continuaria sendo cobrado em R$ 70 em abril e maio, mesmo consumindo apenas R$ 40, ou seja, ele estaria pagando por duas vezes R$ 30 a mais, sofrendo um prejuízo de R$ 60.

Nas contas seguintes à medição presencial, ele deverá ser compensado por esses R$ 60 a mais. Caso a casa continue vazia e o consumo fique em R$ 40, o correto seria, por exemplo, a primeira conta vir com o valor de R$ 0 e a segunda com o valor de R$ 20, por exemplo, ou alguma disposição similar que desconte os R$ 60.

Consulta

No caso específico da conta da Enel, é possível verificar se a leitura foi ou não efetuada. Caso não tenha sido, mantém-se a cobrança pela média. Caso tenha sido, é importante verificar o consumo e conferir se bate com o preço cobrado.

Também é possível realizar a autoleitura, ou seja, o consumidor envia uma foto do relógio para a empresa, por meio de aplicativo ou site, para que não receba a cobrança pela média.

Em nota, a Enel informou que até julho todas as medições devem ser normalizadas e que os clientes que desejarem poderão parcelar suas contas em até oito vezes, para compensar os impactos bruscos causados pela pandemia.