Bancos incluem adiamentos e renegociações aumentam quase 400%

Em menos de três meses, foram negociados cerca de 10 milhões de acordos com as instituições financeiras; cifra inclui “respiro” para bons pagadores

O número de tentativas para renegociação de dívidas entre consumidores e instituições financeiras quase quintuplicou com a pandemia do coronavírus. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entre 1º de março e 22 de maio foram realizadas 9,7 milhões de negociações para acordos, contra 2 milhões no período anterior.

As dívidas relativas aos contratos negociados representam um volume de pendências de cerca de R$ 550 bilhões. Antes, eram cerca de R$ 200 bilhões em dívidas a negociar.

O aumento reflete em parte as consequências diretas da crise do coronavírus no bolso do consumidor. Contudo, é importante ressaltar que, na explosão de renegociações, estão incluídas as dívidas de “bons pagadores”, que tiveram uma ampliação do prazo de pagamento concedida pelos cinco principais bancos do país (Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander).

Desse modo, boa parte das solicitações novas de renegociação não trata de consumidores inadimplentes, mas sim de pessoas físicas e PME’s que decidiram aderir ao plano de adiamento dos pagamentos.

Defesa do consumidor

Apesar da ressalva, entidades de defesa do consumidor veem com preocupação os números.

“A situação é muito complicada. Indica que as pessoas perderam renda e o consumidor está desesperado porque não encontra uma possibilidade de quitar seus compromissos”, diz a diretora do Procon/PR, Cláudia Silvano.

Ela explica que as possibilidades oferecidas de renegociação e ajustamento de prazos não têm sido como o consumidor espera.

“O adiamento para os ‘bons pagadores’ pressupõe outros encargos, por exemplo. Temos visto as pessoas pedindo alternativas e a resposta não vem sendo a desejada. E em curto prazo, é difícil imaginar uma rápida recuperação do emprego e da renda”, avalia Silvano.

De acordo com a Febraban, as concessões totais de crédito no período, o que inclui contratações, renovações e suspensões de parcelas, chegaram a R$ 914 bilhões.

A taxa de juros média caiu em 1,6 ponto percentual, ficando em 21,5%. Já o spread bancário – diferença entre os juros oferecidos para captação e os cobrados para empréstimo – ficou em 17,2%, 1,4 ponto percentual a menos do que antes.

Na contramão, o birô de crédito Serasa Experian divulgou uma pesquisa que revela que em abril a busca dos consumidores por crédito direto caiu 25,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O número é puxado principalmente por aqueles que ganham menos de R$ 1 mil.