“É oportunismo querer se aproveitar de uma pandemia para adiar a vigência da lei”

A frase do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) dá a largada no debate sobre a mudança da vigência da LGPD na Câmara. Veja o que pensam outros parlamentares

A Câmara dos Deputados será o próximo palco de debates para a confirmação – ou não – da medida provisória 956, que, em suma, mudou o início da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para 3 de maio do ano que vem. A discussão promete.

Isso porque os deputados federais devem retomar a discussão do projeto de lei 1179/2020, que também pede a postergação da LGPD. Nesse caso, o PL sugere como nova data o dia 1 de janeiro de 2021 – portanto, um prazo menor que a proposta da MP. A medida já foi aprovada no Senado e depende do aval da Câmara antes de ir à sanção presidencial.


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A reportagem de O Consumerista e a Consumidor Moderno ouviu alguns dos deputados que devem participar ativamente do debate.

Um dos parlamentares que mais atuaram em favor a LGPD é Orlando Silva (PCdoB). Ele e a também deputada federal Bruna Furlan (PSDB-SP) lideraram a aprovação da LGPD na Câmara. Além disso, Silva é o autor do parecer que criou a Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) e também prorrogou a LGPD para agosto deste ano. Inicialmente, a norma entraria em vigor em 2019.

Orlando Silva, deputado federal do PCdoB. Crédito: Wikipedia

Segundo Silva, uma nova prorrogação pode causar uma insegurança jurídica e chamou de “oportunismo” usar o coronavírus como desculpa para nova prorrogação.

“É oportunismo querer se aproveitar do contexto de uma pandemia para adiar a vigência de uma lei amplamente debatida e aprovada por unanimidade. Isso traz insegurança jurídica, inclusive para a utilização dos dados pessoais em um momento como esse. Foram 18 meses de vacatio legis, tempo suficiente para que os segmentos se adaptassem. A LGPD é uma conquista da sociedade brasileira que deve ser preservada”, informou.

Opção viável

O deputado Franco Cartafina (PP-MG), por outro lado, é favorável a prorrogação.

Ele entende que a mudança é uma opção viável diante da ausência de uma ANPD. A Autoridade foi aprovada no ano passado, mas ainda não foi criada pelo governo.

“Considero uma opção viável, haja vista que ainda não foi instituída a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão federal responsável pela edição de normas e pela fiscalização de procedimentos sobre proteção de dados pessoais. A agência terá competências fundamentais para a implementação da lei, dentre as quais está justamente a aplicação de sanções em caso de tratamento de dados realizado em descumprimento à legislação”, disse.

Na avaliação de Cartafina, a MP também deve ganhar um concorrente em breve. É que a Câmara aprovou um pedido de urgência para a votação do projeto de lei 1179/20. E isso pode fazer a proposta ser aprovada nas próximas semanas. “A possibilidade do PL ser votado nas próximas semanas é alta”, informou.