Ocupação de leitos particulares tem menor índice desde o início da pandemia

Cancelamento de procedimentos eletivos deixou camas hospitalares disponíveis para pacientes de Covid-19, que já ocupam 47% do total

Apesar da crise de saúde provocada pela pandemia do coronavírus, a ocupação de leitos de UTI da rede privada verticalizada, ou seja, pertencentes a hospitais dos planos de saúde, baixou nos meses de fevereiro, março e abril de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Os dados são de um boletim apresentado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e são relativos a 109 operadoras de saúde que atendem 80% dos usuários de planos.

Se no ano passado a taxa variou entre 68% e 69% de ocupação nos meses da pesquisa, neste ano ela foi de 66% em fevereiro, 58% em março e 50% em abril, ou seja, caiu conforme a evolução da pandemia de Covid-19 no país.

Embora pareça estranha, a informação é justificada pelo cancelamento dos chamados procedimentos eletivos, aqueles que não tinham caráter de urgência.

“O principal objetivo dessa medida é deixar o máximo possível de leitos hospitalares livres, provendo a capacidade de utilização da infraestrutura disponível para o cuidado à saúde daqueles que mais necessitam no momento”, afirmou a Associação Brasileira dos Planos de Saúde (Abramge) em nota enviada ao O Consumerista.

Leitos de Covid-19

Embora o número de leitos ocupados dos planos de saúde tenha diminuído, a representatividade dos pacientes internados infectados com a Covid-19 vem aumentando mês a mês. Quase metade (47%) das camas hospitalares verticalizadas foram ocupadas por pacientes com coronavírus em abril, crescimento de seis pontos percentuais em relação a março, que registrou 41%.

Em fevereiro, antes mesmo do registro do primeiro caso oficial de Covid-19 no Brasil, a ocupação chegava a 9%, o que é um forte indicador de que a doença já circulava há mais tempo no país.

Se considerado o número de internações absolutas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), é possível verificar grande disparidade em 2020. Em fevereiro, por exemplo, foram 936 internações por Sars, contra 920 do ano anterior, ou seja, um aumento irrelevante. Já em março foram 2.575 contra 1.561 no mesmo mês em 2019. Em abril, o índice foi o triplo do registrado no ano anterior: 5.432 contra 1.800.

Custo do paciente com Covid-19

Outro dado interessante levantado pela ANS foi o custo da internação de um paciente com Covid-19, que fica próximo do da diária cirúrgica, mas com uma média maior de dias hospitalizado.

Segundo o levantamento, um leito de UTI para os infectados com o coronavírus custa em média R$ 4.035/dia, e o tempo de internação normalmente é maior do que 11 dias, o que resulta em um gasto de mais de R$ 45 mil por paciente.

Em algumas negociações para requisições de leitos privados para o setor público, que deve “compensar” os particulares com “valores justos”, as cifras vêm sendo negociadas bem abaixo desse valor. Em São Paulo, por exemplo, cidade que tem oferecido as melhores remunerações, a ideia, até a semana passada, era a de pagar cerca de R$ 2.100 por diária de leito de UTI da rede privada.