Argentina lança aplicativo para controlar quem poderá sair ou não

Cadastro será baseado na “palavra” dos usuários e deverá ser usado por trabalhadores que retomarem suas atividades

O governo da Argentina apresentou na última semana uma nova versão do aplicativo oficial de combate ao coronavírus no país, chamado de “CuidAR”, que traz como novidade a emissão de um “Certificado” para autorizar a circulação ou não dos cidadãos do país, de acordo com sua avaliação clínica.

O aplicativo oferece orientações para que os usuários possam lidar com a suspeita de ter contraído a Covid-19 sem que tenham de sair de suas casas. Basicamente, ele exige dados como nome, identidade e localização para liberar o acesso.

Depois, é feita uma espécie de questionário, que serve como pré-teste de contágio pelo coronavírus, cujo objetivo é direcionar o cidadão para um hospital, para uma quarentena caseira (com orientação virtual) ou ainda dar uma autorização para circular, recomendando o cumprimento das medidas de segurança. Além disso, a detecção de potenciais casos facilita o monitoramento da doença no país.

Se o usuário for detectado com sintomas de Covid-19, ele terá sua autorização para sair cassada, até que cumpra o isolamento e se recupere da doença.

Aplicação

As autoridades argentinas, contudo, ainda não deixaram muito clara como será feita a fiscalização, já que, segundo a orientação inicial, os únicos cidadãos obrigados a contarem com o certificado são aqueles trabalhadores que retornarem às suas atividades.

Além disso, a coleta de informações depende, de maneira geral, da “palavra” do usuário, ou seja, como a captação de dados é feita por meio de uma autodeclaração de sintomas, existe a possibilidade de que um usuário “minta”, especialmente se estiver obrigado a conseguir a certificação para voltar ao emprego.

Até o momento, quase 2 milhões de argentinos já se cadastraram na plataforma.

O caso chinês

O controle de movimentação por aplicativos já vem sendo utilizado em outros países do mundo, especialmente aqueles em que já estão em fases mais avançadas da pandemia do que as nações da América do Sul.

Na China, por exemplo, há uma série de aplicativos que captam uma infinidade de dados dos usuários, a maioria deles sem autorização e até mesmo sem conhecimento, o que culturalmente é aceito pelos usuários como um bom “método” de combate à difusão da pandemia.

Os programas coletam desde informações básicas da movimentação digital dos usuários, como geolocalização, para monitorar se esteve em áreas de risco ou em contato com contaminados, assim como dados de compras online, viagens e até mesmo resultados de testes.

No Chile, “Cartão Covid” foi cancelado

Na semana passada, o governo chileno desistiu da ideia de conceder o chamado “Cartão Covid” para aqueles que estavam liberados para sair às ruas do país.

A lógica do programa era a inversa do argentino: ao invés de liberar os que não apresentavam sintomas e provavelmente não estavam infectados, os chilenos queriam liberar a circulação daqueles que já haviam sido infectados e posteriormente curados, já que, em tese, não poderiam contrair a doença e ampliar sua disseminação.

Depois de muita reclamação, a ideia foi vetada pelas autoridades, ou ao menos deixada de lado, pela possibilidade de segregação entre as pessoas. Além disso, a medida poderia estimular uma adesão voluntária ao vírus para conseguir o cartão. Por fim, embora seja provável, ainda não há comprovação científica de que um contaminado já curado fique imune a uma segunda infecção pela Covid-19.