Operadoras vão ceder dados de mobilidade ao governo para conter pandemia

Há empresas que já realizam o mesmo mapeamento. Uma delas mostra até o confinamento por bairro. No Centro de SP, o índice é de menos de 30

O sindicato que representa as operadoras de telecomunicação do país (SindiTelebrasil) anunciou nesta quinta-feira que as principais fornecedoras de serviços de telefonia móvel cederão dados de mobilidade de seus usuários ao Ministério da Ciência, Inovação, Tecnologia e Comunicações (MCTIC), para auxiliar o governo federal no combate à disseminação do novo coronavírus no Brasil.

A ideia é que, com as informações de geolocalização, o governo consiga monitorar a mobilidade da população e assim avalie a eficácia do isolamento social, além de identificar eventuais pontos de aglomeração e situações de risco para a propagação da Covid-19.

Os dados se referem à utilização de redes móveis nos aparelhos celulares e serão fornecidos pelas operadoras Vivo, Claro, Tim, Oi e Algar Telecom.

Segundo nota enviada à imprensa pelo SindiTelebrasil, os dados ficarão disponíveis em uma nuvem pública e serão organizados de forma agregada, estatística e anônima, “de acordo com as normas da Lei Geral de Proteção de Dados e do Marco Civil da Internet”.

Outras empresas e institutos de pesquisa que quiserem colaborar com a base de dados também poderão incorporar suas informações.

Controle no mundo

O uso de dados de geolocalização e rastreamento de usuários já vem sendo adotado no mundo todo pelas autoridades para tentar conter a pandemia do coronavírus.

A Coreia do Sul, que foi classificada como um “exemplo” pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no que se refere aos testes massivos, só pôde examinar os suspeitos por conta de um direcionamento baseado no uso desses dados. Assim, pessoas que tiveram contato com doentes eram testados com prioridade.

A Itália, país mais afetado até agora pelo novo coronavírus, também recorreu à alternativa. Segundo o diretor do Instituto Superior da Saúde, a nação está “em guerra” e precisa “utilizar as armas que possui”.

Em alguns países, como em Taiwan e na Polônia, as pessoas que estão em quarentena estão literalmente sendo vigiadas pelas autoridades, por meio de sua localização, para saber se estão cumprindo as determinações.

Brasil

No Brasil, o monitoramento ainda é um pouco mais tímido, mas com o parecer das operadoras, devem passar a vigorar com mais intensidade. A grande parceria até o momento no país foi a da prefeitura de Recife (PE) com a empresa InLoco, que fornece dados anonimizados de localização.

A empresa conseguiu monitorar os bairros com maior índice de isolamento social, ou seja, em que a população está respeitando as regras de restrição de movimento. Assim, o poder público pode tomar ações mais focadas nas áreas em que ainda há deslocamento e aglomeração de pessoas.

Os dados mostraram que o índice de isolamento nos bairros variou entre 57% e 76%, sem a determinação de zonas específicas onde o cumprimento das quarentenas é mais respeitado.

Em São Paulo, a InLoco também mapeou os bairros com maior cumprimento das medidas de confinamento. Basicamente, são aqueles fora do chamado centro expandido da capital paulista. Enquanto o bairro Raposo Tavares, no extremo oeste paulistano, marca índices de isolamento de 78%, na Sé esse número é de apenas 27%. As marginais dos rios Tietê e Pinheiros, inclusive, delimitam zonas com diferentes aceitações à quarentena.

Por estado brasileiro, o levantamento mostrou que existe certa uniformidade no cumprimento das determinações. Tocantins, com 44%, tem o menor índice de isolamento, enquanto Goiás e Distrito Federal (contabilizados juntos), com 56,1%, tem o maior. A médica nacional é de 51,8%.

Segundo o site, a InLoco obtém dados de visitas e estabelecimentos, sem associar determinadas localizações a usuários específicos.

Em São Paulo, a InLoco mapeou os bairros com maior cumprimento das medidas de confinamento. Basicamente, são aqueles fora do chamado centro expandido da capital paulista. Enquanto o bairro Raposo Tavares, no extremo oeste paulistano, marca índices de isolamento de 78%, na Sé esse número é de apenas 27%. As marginais dos rios Tietê e Pinheiros, inclusive, delimitam zonas com diferentes aceitações à quarentena.

Entre outras ações, a Vivo/Telefônica havia anunciado nesta quarta-feira (1) uma parceria com o governo paulista para fornecer os dados anonimizados de seus usuários. O Rio de Janeiro também estudava utilizar a geolocalização no combate à pandemia.

Nova abordagem

Especialistas europeus anunciaram também nesta quarta-feira que estão desenvolvendo uma tecnologia para celulares que identificaria, com maior precisão, os usuários que entraram em contato com possíveis infectados pela Covid-19. A lógica seria a de alertar o próprio consumidor do risco que corre como direcionar as autoridades para atuarem em regiões estratégicas.