Site de Singapura monitora pacientes de coronavírus (quase) em tempo real

Em Singapura, site mostra a informação de cada pessoa que contraiu o coronavírus. No meio de tanta informação, O Consumerista descobriu um brasileiro diagnosticado no último dia 18

Muitos governos, entidades e empresas repetem a máxima de que a melhor arma contra o coronavírus é a informação correta. No entanto, alguns países da Ásia simplesmente elevaram esse mantra para um novo patamar.

Países como Hong Kong, Singapura e na Coreia do Sul disponibilizaram uma plataforma digital, pública e artificialmente inteligente que oferece uma informação preciso à população local (e quase em tempo real) sobre todos os casos de pessoas que contraíram a doença e de maneira individualizada. Sim, o histórico de cada paciente é informada nos sites.

Singapura

Uma desses sites é o Co.VID19.SG, de Singapura. O site possui um amplo conjunto de informações distribuídas em dashboards sobre COVID-19. Nele, por exemplo, há desde as informações mais generalistas como a quantidade de casos (343 até o fechamento da nota), o percentual de contaminados por gênero (60,3% deles homens), idades e muito mais.

Há também dados mais específicos e que somente foram capturados por meio do cruzamento de informações feito por uma I.A. Uma delas, por exemplo, é que o tempo médio de internação das pessoas com o vírus seria de quatro dias.

Site reúne infográfico com diversas informações sobre o coronavírus. Crédito: reprodução

A lista inclui brasileiro

Uma informação presente no site é praticamente uma descoberta feita pelo O Consumerista. Dos 343 casos monitorados em Singapura, ele seria o de número 324 e foi confirmado no último dia 18 de março. Por enquanto, não há informação sobre o nome do paciente, mas sabe-se que é um homem de 45 anos internado no hospital National Centre for Infectious Diseases (NCID). No seu recente histórico de viagem consta uma passagem pelo Reino Unido.

O site informa a existência de um brasileiro que testou positivo para o coronavírus no último dia 18. Crédito: reprodução

Anônimos

Outra informação presente no site é o mapa interativo que mostra as informações de cada pessoa e qual o seu respectivo estado de saúde de momento. Por meio desse mapa, é possível saber o local de contágio, a data da contaminação, o sexo, idade e muitos mais.

Danilo Doneda, coautor do texto que deu origem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e que conhece o site de Singapura, afirma que o site é um bom exemplo de como usar os dados dos pacientes sem desrespeitar a privacidade de cada paciente.

Um dos campos do site possui um mapa interativo com todos os casos de coronavírus identificados no país. Crédito: reprodução

“Governos e empresas da Ásia estão inovando no uso de dados pessoais. Em Singapura é possível mapear onde a pessoa passou, o que fez e para onde seguiu. O mais importante é que a identidade da pessoa é preservada. No entanto, é preciso acompanhar o site com mais calma. Embora não tenha nome, penso que muitas pessoas conseguiriam identificar a partir das informações disponibilizadas no site”, explica Doneda, que completa: “Esse site nos leva ao seguinte debate: até que ponto o volume de informações é considerado excessivo?”, afirma.

Danilo Doneda, coautor da Lei Geral da Proteção de Dados. Crédito: reprodução/ YouTube