Planos de saúde terão de cobrir exames de coronavírus

Países com altos índices de testes lidaram melhor com a doença; medida já prevê aliviar sobrecarga do SUS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regulamenta os serviços oferecidos por planos de saúde, incluiu no último dia 12 o exame para detecção do novo coronavírus em seu rol de procedimentos obrigatórios. A medida já foi publicada no Diário Oficial da União.

O rol da ANS define a quais serviços e procedimentos médicos os beneficiários de planos de saúde tem direito. Com a decisão, os planos passam a ser obrigados a oferecer o exame de coronavírus aos clientes com segmentação ambulatorial, hospitalar ou referência.

Para realizar o teste, contudo, o paciente deve ter indicação médica, o que respeita o protocolo vigente do Ministério da Saúde, em que só são realizados os exames de pessoas consideradas “prováveis” ou “suspeitas” de infecção.

De acordo com nota divulgada pela ANS, é importante que o beneficiário não se dirija diretamente a hospitais ou laboratórios sem antes consultar a operadora do plano de saúde para se informar sobre o local mais adequado para a realização do exame ou para esclarecer quaisquer dúvidas.

Como o Brasil ainda reage aos primeiros sustos provocados pela pandemia, é possível que nos próximos dias os protocolos para a realização de exames e as diretrizes para a cobertura de determinados casos possam ser revistos.

Na possibilidade de infecção e necessidade de internação e acompanhamento médico, a cobertura do tratamento da doença já está determinada na lista obrigatória da ANS.

Aliviar o sistema de saúde

A medida da ANS é importante não só para os usuários dos planos de saúde, que poderão ser examinados sem custos adicionais, mas também para a própria estratégia de combate e mitigação dos efeitos da pandemia no país.

Para realizar o teste, contudo, o paciente deve ter indicação médica, o que respeita o protocolo vigente do Ministério da Saúde, em que só são realizados os exames de pessoas consideradas “prováveis” ou “suspeitas” de infecção

Em pronunciamento ao país na cadeia de rádio e TV, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira que é importante evitar mais casos para não sobrecarregar o sistema de saúde brasileiro, em especial os hospitais e laboratórios públicos. Com a medida da ANS, parte da demanda será naturalmente desviada ao setor privado, o que deve colaborar, ao menos em parte, com as ações do Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, a rápida detecção dos casos de coronavírus, possibilitada pelo grande número de testes, tem sido elogiada como uma das medidas que mais contribuíram para que determinados países pudesse amenizar os efeitos da doença.

A Coreia do Sul, por exemplo, que implantou diretrizes de exames em massa, registrou um grande número de casos, mas a mortalidade do vírus no país não chegou a 1%. Na Itália, o índice da mortalidade é de aproximadamente 5% dos casos, enquanto no mundo varia entre 3% e 3,5%.