Blockchain: qual a sua real utilidade?

Em artigo, Carl Amorim falou sobre a importância do blockchain na construção de modelos de negócios mais inclusivos. Veja

Muito tenho falado e, ao mesmo tempo, muito mais tenho ouvido sobre blockchain nesses anos de caminhada. Por fim, chego à conclusão que, ainda, estamos tentando encaixar a peça redonda no buraco quadrado por pura falta de compreensão da diferença dos formatos ou, em termos mais diretos, não sabemos qual problema o blockchain veio para resolver e que os outros sistemas não fizeram a sua parte.

Não comecei minha caminhada no blockchain, assim como ocorreu com a grande maioria dos meus colegas. Eu, particularmente, nunca tive paciência para o jogo das operações financeiras diárias, cujo objetivo é ganhar dinheiro pelo dinheiro sem nada construir. Não trocaria, por exemplo, o prazer de  defumar uma peça de bacon ou cozinhar uma costela por 24 horas por horas infindáveis de codificação e desenvolvimento de aplicativos.

O que me trouxe ao blockchain foi a necessidade de resolver um problema de fluxo financeiro e de informações para empreendimentos em rede. Eu ingressei nesse mundo por causa da possibilidade de reescrever os contratos sociais para modelos de negócios mais inclusivos, com distribuição de responsabilidades, riscos, investimentos, receitas e gerar prosperidade. Enfim, a minha ideia foi permitir a redução da desigualdade pelo aumento da autonomia e da dignidade das pessoas, e não pela ajuda governamental centralizada, que, a propósito, humilha a todos numa situação de dependência do Estado. Eu entendi que o caminho é o blockchain.

Eu entendi que a tecnologia possui estreitos laços com a ideia de comunidade. Existe no blockchain uma necessidade de colocar todos nós em uma base de dados distribuída e comum, o que permitiria criar processos mais horizontais e distribuídos. Entendo que essas palavras em uma corporação ou governos soam como uma verdadeira heresia. Falar em achatar as hierarquias é quase um crime, pois vai de encontro com tudo que nossos interlocutores acreditam e trabalharam para alcançar um dia. Para eles, uma empresa horizontal não terá espaço para intermediários muito menos para o jogo político que rege a dança das cadeiras.

Nós entendemos que a implantação e adoção do blockchain é um esporte coletivo, de formação de um ecossistema que compartilhará, por meio de aplicações, dados distribuídos em uma plataforma definida em conjunto com usuários, reguladores, governos, entre outros.

Essa configuração permite às empresas conectarem seus sistemas com as mais diversas formas de Tecnologias de Registro Distribuído – DLT ou apenas blockchain. Nela, cada um tem suas vantagens e desvantagens de acordo com as aplicações a serem utilizadas. Isso significa que a tecnologia não é mais a fonte de uma vantagem competitiva, mas, sim, a interação entre os participantes dentro de cadeias de valor. Ou seja, quanto mais conectado, mais compartilhar infraestrutura e dados, maior sua vantagem no mercado.

Crédito: Arquivo pessoal

Artigo escrito por Carl Amorim, country executive da Blockchain Research Institute